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30/06/2009

Livro


Quero dar uma dica literária. Se puderem, leiam Gabriela Leite, "Filha, Mãe, Avó e Puta!".

Pra quem não sabe Gabriela é ex-prostituta e fundadora da DASPU. Foi ela quem encabeçou a luta pelos direitos trabalhistas das prostitutas.

É uma grande mulher, de personalidade forte e com uma história de vida interessante e peculiar.


Podem ler, é muito bom. Muito bom mesmo.
Eu agarantcho!

20/05/2009

Luis Fernando Veríssimo

Ultimamente tenho lido "um pouco" de Luis Fernando Veríssimo e, a medida que esse pouco se faz muito, fico mais encantada. Encantada com suas sátiras, críticas, pensamentos e suas palavras, simples e diretas palavras.
Dentre os textos lidos um que me chamou muito atenção, e talvez um dos mais famosos, é o "Gigolô das Palavras". A forma como ele põe a gramática em seu devido lugar é tão bem feita que conseguimos entender sua real função, deixando de lado a maneira deturpada que a aprendemos na escola.
Para que vocês se deleitem... aí está! Espero que gostem =)


O gigolô das palavras

Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa ("Culpa da revisão! Culpa da revisão !"). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.
Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí é de interesse restrito a necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo Português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o Português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a Gramática é a estrutura da língua mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em Gramática pura.
Claro que eu não disse isso tudo para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas - isso eu disse - vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas. Se bem que não tenho o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.
Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa ! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção dos lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda.

14/04/2009

Histórias de Amor - parte 1

*João e Maria


João da Cruz, 23 anos, moreno, alto, magro, olhos caramelados, cabelos negros, rapaz boêmio da capital que trabalha como agente administrativo de um órgão público. Maria de Jesus, 19 anos, pele clara, estatura média, cabelos longos e encaracolados, moça simples do interior que vem à cidade grande para estudar pro vestibular de enfermagem, o grande sonho de sua vida.
Maria saiu de sua cidadezinha do interior para ficar na casa de uma tia que mora na capital. Em troca de casa, comida e estudo, ela cuida dos dois primos pequenos, Flávia, 4 anos e Pedro, 7 anos. As crianças estudam pela manhã, mesmo horário de Maria que quando volta do cursinho divide o tempo entre tomar conta das crianças e estudar as matérias do vestibular.
Um certo dia, depois de esperar horas na parada, Maria consegue pegar o ônibus que vem superlotado. Quando finalmente passa pela catraca e se aloja desajeitadamente, um rapaz toca em seu braço e pede para segurar seus livros e cadernos, este rapaz é João.
Neste momento os olhares dos dois se cruzam e um sorriso tímido é dado por Maria, enquanto João permanece admirado diante da beleza, timidez e simplicidade daquela moça.


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