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28/05/2013

Resenha: The Help

 

Não sei se já comentei com vocês aqui no blog, mas, para mim, o cinema é mera diversão, deixo minha intelectualidade toda a serviço da Literatura. Não sou dessas que gosta de assistir filme de arte ou que vê grandes filosofias nas obras de Woody Allen. Não! Eu gosto mesmo é de comédia romântica, não daqueles 'besterois americanos', tipo American Pie e outros. Gosto é da água com açúcar, do melado romântico, daquela velha fórmula onde o casal passa por perrengues para no final vir a grande cena do casamento e do 'felizes para sempre'.
Admiro quem consegue ir ao cinema da Fundação e discutir a beleza nos filmes de Ingmar Bergman (cineasta preferido da juventude cult e pseudo cult de Recife), mas eu não consigo. Gosto mesmo é de baixar minhas comédias românticas, entrar embaixo do edredom e pegar uma caneca de sorvete. Pronto! Isso para mim é meu ideal de cinema.
Mas esse domingo último eu assisti um filme que até fugiu dos meus padrões, talvez a presença do meu namorado (que não gosta do meu gênero preferido) ajudou nisso, porque quando vamos assistir filmes juntos sou meio que forçada a escolher outros gêneros. Pois bem, assistimos 'The Help' e minha ignorância cinematográfica me permitiu desconhecer o fato de que esse filme foi indicado ao Oscar em 2012 e que ganhou o prêmio de melhor atriz coadjuvante.


Decidi baixá-lo porque tratava da luta pelos Direitos Civis nos EUA e esse é um tema que me apetece, independente de onde venha representado, e acabei me surpreendendo com o fato de não chorar, porque esse tema sempre me abala, mas muito pelo contrário, até que eu ri consideravelmente, principalmente na parte da tora de chocolate :). O Filme é lindo, é um drama que tem duração de 2:35 min, mas você nem percebe de tão fácil que flui. O tema principal é a questão das empregadas domésticas nos EUA, especificamente no Estado do Mississipi, e tem como plano de fundo a Luta pelos Direitos Civis, Martin Luther King e a KKK e, apesar de se tratar de uma tema tenso, ele passa leve na tela.


O enredo gira em torno do livro 'The Help' escrito, anonimamente, pela jovem branca, Skeeter Phelan que decide abordar o tema das empregadas domésticas negras e, para isso, conta com a ajuda de duas representantes da classe: Aibileen Clark e Minny Jackson (interpretada pela atriz Octavia Spencer, ganhadora do Oscar de melhor Atriz Coadjuvante em 2012). O lançamento do livro causa o maior zum zum zum na cidade com direito até a demissões de uns e admissões de outros.
Não vou contar mais porque sou contra spoilers, mas super indico para quem ainda não assistiu e, mesmo aqueles que não gostam do gênero drama, garanto que vão se encantar com The Help.

Abaixo o trailler oficial para vocês darem uma expiada :)



17/05/2013

resenha: o diário de anne frank


Essa semana terminei de ler, depois de quase 2 meses, 'O Diário de Anne Frank'. Sempre quis ler esse livro, mas tinha algumas restrições porque tudo que trata da 2ª Guerra, Holocausto e Nazi-facismo me deixa muito mal. Depois de anos querendo ler, finalmente criei coragem, comprei o livro na Estante Virtual e comecei a ler. Por conta do trabalho, demorei muito para terminá-lo; foram quase 2 meses para ler algo que antes lia em, no máximo, 3 semanas, mas finalmente terminei e, como suspeitava, fiquei muito mal. Chorei demais quando cheguei na última página, mas isso já era de se esperar, vindo da minha pessoa. 


Mesmo quem não leu sabe que o livro virou, também, um documento histórico. Anne, em alguns momentos, narra com riqueza de detalhes costumes do Führer, da Gestapo e dos Judeus, o que eles faziam para driblar as prisões e conseguir sobreviver nos tempos de guerra.
O livro é narrado em primeira pessoa por Anne Frank, uma menina alemã e judia que, por causa da 2ª Guerra, teve que se mudar para a Holanda com sua família: o pai Otto, a mãe Edith e a irmã Margot. Quando sua irmã recebe a convocatória para o campo de concentração, a família Frank foge para um esconderijo na fábrica onde Otto trabalhava. Eram muito comum os esconderijos durante a II GM e no 'Anexo Secreto' (como Anne costumava chamar o esconderijo) além da família de Frank, ficaram mais 4 pessoas (a família Van Pels e Fritz Peffer, a quem Anne dá outros nomes no seu livro). Eles passaram 2 anos no Anexo, vivendo constantemente com o medo de serem descobertos e denunciados e foi nesse período que Anne escreveu seu famoso diário que, posteriormente, virou livro.


No diário, a jovem judia trata de vários assuntos, como a difícil relação com a mãe, o amor e admiração pelo pai, as dificuldades de uma adolescente em viver escondida, a paixão pelo companheiro de esconderijo, Peter Van Pels, a convivência nada amigável com os outros membros do Anexo e, claro, o medo de ser descoberta e mandada a algum campo de concentração.


Em 4 de agosto de 1944 os moradores do Anexo Secreto foram presos, possivelmente denunciados, e deportados para Auschwitz (o mais famoso campo de concentração nazista, localizado na Polônia). De todos os moradores do Anexo, Otto Frank foi o único sobrevivente, Anne morreu em março de 1945 em Bergen-Belsen devido a uma epidemia de febre tifo, assim como sua irmã, semanas antes do acampamento ser libertado pelos ingleses. Depois da guerra acabar seu pai voltou para a Holanda e teve ajuda das mesmas pessoas que o ajudaram durante o tempo do Anexo: Jan e Miep Gies, assim como Victor Kugler, Johannes Kleiman, Bep Voskuijl e Johannes Voskuijl.


Foi Otto Frank quem encontrou o Diário de Anne e se dedicou a tornar realidade o sonho de sua filha, mesmo depois de morte, que era mostrar ao mundo o que tinha escrito no tempo que viveu escondida do regime Nazista.
O livro é lindo e eu super indico para vocês lerem, mesmo para quem seja sensível a esses temas, como eu.

20/03/2013

lavoura arcaica

Quero compartilhar com vocês um amor meu, uma amor em forma de livro: Lavoura Arcaica, um romance do escritor paulista Raduan Nassar. O livro conta a história de uma família sirio-libanesa que mora numa fazenda e sofre com a ida de um dos filhos homem, André (narrador da obra), para a cidade. Quando 'o filho pródigo' retorna a tensão se estabelece, visto que André partiu para ficar longe de seu amor impossível, sua irmã Ana e toda a trama se desenvolve em torno desse amor, que se concretiza, embora seja 'impossível' e do drama sofrido pelo casal de irmãos e amantes.


O livro é dividido em duas partes: 'A partida' e 'O retorno' e apresenta uma narrativa em primeira pessoa bastante densa e não linear, visto que o fluxo da consciência é bem intenso na obra, sem falar da pontuação bem peculiar onde os capítulos só apresentam um ponto final. 


A obra é permeada pela angústia do narrador que vive perturbado entre a responsabilidade que tem para com a família e o amor e desejo que sente pela irmã: "(...) eu, filho torto, a ovelha negra que ninguém confessa, o vagabundo irremediável da família, mas que ama a nossa casa, e ama esta terra, e ama também o trabalho, ao contrário do que pensa; foi um milagre, querida irmã, foi um milagre, eu te repito, e foi um milagre que não pode reverter (...)" (p.120).


Como as grandes histórias de amor, o drama de André e Ana termina de forma trágica, mas calma que não vou contar o fim do livro a vocês não (rsrs), mas aviso que quem for de chorar é bom preparar os lenços porque as lágrimas são garantidas. É um fim lindo e bem digno de uma obra tão rica literariamente.


Para quem já leu a obra é válido ver o filme também, e para quem já viu o filme é mais válido ainda ler o livro porque vocês sabem que o livro é bem mais rico de detalhes que a obra cinematográfica, né?! O filme é muito bem feito e, confesso a vocês, que é um dos poucos que conseguiu transpor para a tela toda a literatura presente na obra impressa.


O filme foi dirigido pelo Luiz Fernando Carvalho (Hoje é dia de Maria, A Pedra do Reino, Capitu, entre outros...) e tem no elenco algumas feras do tipo de Raul Cortez como patriarca da família, Selton Mello como André e Simone Spoladore como Ana.

Abaixo um trecho do filme - "A Festa":


Espero que vocês leiam e que gostem :)


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