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28/02/2013

do 28 de fevereiro ou da vida.


Nasci em 28 de fevereiro de 1985, uma quinta-feira pós quarta de cinzas, minha mãe brincou o carnaval todinho e, acabada a folia, ela foi à maternidade 'me ter'. Como eu estava sentada na barriga dela, o parto teve que ser cesárea, depois de nascer vim para casa e ela continuou no Hospital por causa de uma infecção que contraiu, o que gerou várias consequência como, por exemplo, o fato de eu nunca ter mamado.
Mainha passou quase 2 meses no Hospital tentando combater essa infecção que quase a tirou a vida (vale ressaltar que era década de 80, as infecções eram certeiras, sem falar na AIDS que reinava), por isso nos dias 28 de fevereiro eu celebro não apenas a minha vinda ao mundo, mas, principalmente, a volta da minha mãe à vida. Ela lutou, batalhou, guerreou mesmo para viver e para poder me criar e hoje estou eu aqui completando 28 anos e lembrando a ela, todos os dias, o quanto guerreira ela foi.
Mãe, obrigada por tudo, por ter me dado a vida, por ter me criado tão bem, me dado educação, estudo, orientação, mas um muito obrigada mais que especial por você não ter desistido de viver e ter me dado o prazer de conviver contigo há 28 anos e que essa convivência dure, no mínimo, mais uns 50. Te amo!
♥

21/11/2012

de infância e de estimação...

Da série 'cheirinho de infância'...

Um post no twitter e mil lembranças vêm à mente. Hoje vou contar um causo dessa minha vida de 27 anos vividos, mas com bagagem para dar e vender.
Meu pai, que na verdade é meu tio, irmão da minha mãe, e por quem eu fui criada, é veterinário e, não por isso, sempre tivemos felinos em casa, aliás gatos são um paixão na família Euzébio (minha família). Um dia painho resolveu mudar o animal e chegou em casa com uma coelha, que logo de cara foi amada por todos e recebeu o nome de Tieta. Tieta era linda, toda branquinha, com os olhinhos vermelhos, igual ao coelho da musiquinha da páscoa.
Ela era fofinha e amada, mas não sei se vocês sabem, queridos poucos leitores, que coelhos roem e fazem cocô (que parecem sementes de mamão) absurdamente. Painho ficou logo irritado quando viu seus sapatos todo roídos e disse que ia dar Tietinha. Nós choramos, mas não adiantou muito. Um belo dia de domingo estávamos almoçando todos reunidos em volta da mesa (momentos raros na nossa família), comendo o que achávamos ser galinha, quando painho informou que não tinha dado Tieta, ele tinha matado a coitada e o que pensávamos ser a galinha, era, na verdade, a nossa coelha de estimação. Ficamos todas chocadas e tristes, mas já tínhamos comido a coitada e a carne é bem mais macia que a de galinha.
Tieta foi a primeira e única coelha que entrou lá em casa e, de fato, foi uma experiência traumática. Desde esse episódio só gatos existiram em nossa casa, já que painho nunca teve coragem de tirar a vida deles.

Cheiro de infância e amor animal.
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12/09/2012

de infância e de cheiro...

Dia desses estava conversando com um amigo pelo twitter, amigo esse que nunca vi pessoalmente e que marcamos sempre uma cerveja (sem álcool para ele, com álcool para mim) que nunca sai da timeline, sobre hospícios/manicômios/hospitais psiquiátricos. Vocês não sabem, meus poucos leitores, mas tenho uma vasta experiência nesse quesito.
Vivi a minha vida toda com um tio, irmão de mainha, que era doente mental, vítima de uma febre reumática quando bebê que lhe causou sérios danos cerebrais. Como morávamos no centro da cidade e minha família trabalhava vendendo almoço, como foi relatado em post anterior aqui, deixávamos Nado (meu tio) internado num hospital psiquiátrico e a cada 15 dias ele vinha passar o final de semana em casa, nos outros finais que ele estava lá, nós íamos passar o domingo com ele.
Eu devia ter uns 7 para 8 anos, mas lembro perfeitamente do lugar, dos internos, do cheiro e de como eu me divertia lá. Tinha um jardim imenso na entrada e eu, criança, brincava horrores. Um dos internos, Sr. Vicente (sim, lembro do nome e do rosto dele claramente), dizia que da próxima vez que voltasse eu ganharia uma boneca de ouro e eu, CRIANÇA, acreditava e sempre voltava, mas nunca ganhei a tal boneca, porque será, né?! Rsrsrsrs
Tenho lembranças de quando entrava nos corredores e de como era triste ver pessoas naquela situação que, em alguns casos, era desumano. Lembro dos quartos/celas, de alguns pacientes, do cheiro, etc. E falar em cheiro, o que mais me marcou não era o odor forte de urina e fezes que permeava aquele lugar e sim um cheiro que não sei explicar como é ou com o que parece, só sei que é cheiro de hospital psiquiátrico e, volta e meia, eu ainda sinto quando ando por Recife e todas essas memórias voltam como um turbilhão na minha cabeça.
Disso tudo o que mais me encanta é o fato de mainha e toda a minha família nunca terem me 'poupado' desse tipo de coisa, muito pelo contrário, eles sempre me mostraram tudo que eu poderia lidar na minha vida e deve ser por isso que eu não tenho medo de um doido quando encontro na rua, afinal foram 26 anos convivendo com um.
Meu tio não passou muito tempo nesse hospital, que prefiro não citar o nome, porque além de ser uma clínica para doentes mentais, era uma clínica para dependentes químicos também e eles ficavam juntos, não eram pavilhões separados. Nado começou a fumar depois que ficou internado e, dentro do próprio hospital, sofreu uma agressão de um interno porque negou lhe dar um cigarro. Depois disso minha família o retirou do estabelecimento e decidiu não interná-lo mais.
Nado faleceu em julho do ano passado de morte natural, em casa e nos braços de mainha. Foi triste, mas foi um final bonito para uma pessoa que passou pela vida e, simplesmente, não viveu.

Saudades!
♥

21/08/2012

de amor e de literatura...

Começa hoje o Festival recifense de Literatura "A Letra e a Voz" e, por conta dele eu estava relembrando como me aproximei da literatura. Não tive com ela um amor à primeira vista, muito pelo contrário, nosso primeiro momento foi de repulsão até e, por causa dele, me mantive afastada das letras por muito tempo.
Eu era 8ª série e tinha uma professora de literatura que traumatizava todos os alunos. Ela tinha um método horrível que se resumia em escolher uma obra e fazer um questionário gigante (cerca de 100 questões) sobre a mesma, e questões eram do tipo 'no capítulo 3 a mocinha está numa festa e dança com quem?'. Não precisa ser professor (a) para saber que esse método afasta o aluno da leitura, né? Pois bem, minha experiência traumática foi com nada mais, nada menos, que 'Dom casmurro'. Isso mesmo! Dentre tantas obras literárias meu primeiro contato teve que ser com Machado, mas não qualquer obra, tinha que ser a mais complexa, a mais discutida, a mais literária de todas.
Pois então, lá fui eu ler a vida da moça dos olhos de ressaca. Não passei do 2º capítulo. Fechei o livro e proferi as piores palavras que já saíram da minha boca 'Odeio Machado de Assis! Esse homem é muito ruim e esse livro é um saco!'. Copiei o trabalho de uma colega de sala e nunca mais li nada na minha vida, nem obrigada, nem por vontade própria.
Passaram-se 4 anos sem eu ler nada. Sei que é absurdo, mas é verdade. Até que um dia meu pai começou a fazer a coleção das obras de Machado que saíam pelo Diário de Pernambuco. E um belo dia eu estava em casa, sem nada para fazer e toda a obra machadiana ali na minha frente. Peguei Helena para ler porque a minha paixão por mitologia grega me fez achar que tinha alguma relação com a causadora da guerra entre gregos e troianos. Li Helena todo em um dia e, ao final do livro, eu estava em prantos. Chorava copiosamente, uma porque o livro trata-se de uma história de amor impossível (e eu com amor já viu, né, lágrimas puras), outra porque eu estava emocionada em ver como alguem era capaz de escrever coisas tão lindas como aquelas.
Desse dia em diante eu li a coleção inteira de Machado e o último livro que peguei foi Dom Casmurro. Passei alguns dias olhando para ele sem saber se eu iria lê-lo ou não. Tinha medo de me decepcionar com o livro, de não gostar e achar mal escrito, o que seria impossível, afinal de contas eu gostei de todos e justo o mais famoso, o mais comentado eu não gostar era porque havia algo de errado e, com certeza, era comigo.
Pois bem, li Dom Casmurro e nem preciso dizer a vocês que chorei no final, não é? Chorei feito louca e por vários motivos. De raiva daquela maldita professora que me afastou da literatura; por ter perdido a oportunidade de conhecer a obra mais linda do mundo antes; por não entender como um ser humano é capaz de escrever uma coisa tão maravilhosa como aquela, mas, principalmente, chorei por descobrir que aquilo era o que eu queria fazer pro resto da minha vida. Era de literatura e, especificamente, para ela, que eu queria viver. Desde esse momento eu não consigo conceber um único dia na minha vida que não tenha a presença dela, seja em forma de ficção ou em forma de teoria. É para ela que eu levanto todos os dias, é para ela que eu estudo e é para ela que eu vivo.
Como disse um professor que tive 'Eu sou literatura e não sei ser outra coisa que não seja literatura'!

♥

25/07/2012

de infância e de saudade, ou apenas de vovô!

Acordei hoje para recordar. Recordar uma parte da infância que foi mais que feliz.
Vivi até os meus 8 anos no centro de Recife, mais especificamente na Rua de Santa Cecília, num apartamento em cima das Lojas Cassiano. Minha mãe e minha avó vendiam almoço para o pessoal que trabalhava nas lojas dali (numa época que aquilo lá não era cosplay da chinatown.), logo todo mundo daquelas redondezas me conhecia, o que facilitava muito minha infância de criança sozinha, criada em prédio e no meio de adultos.
Como não vivi rodeada de crianças, exceto minhas primas/irmãs gêmeas que, durante esse período moraram em Jiparaná-RO, tive que brincar sozinha por muito tempo e acabava indo para as lojas para poder 'ser criança'. Nossa, são tantas lembranças felizes e algumas, poucas, tristes também.
Lembro de ter um estoque de bonecas enormes porque cada loja que entrava eu escolhia a que queria brincar naquele dia, era sempre algo novo e encantador. E por falar em bonecas, uma das coisas que mais achava mágica era o fato de sempre encontrar sapatos de boneca jogados nas ruas, especialmente na Rua do Nogueira (paralela a Sta. Cecília), acho que deveria ter alguma fábrica por ali que eu desconhecia. Mas recordo de como eu ficava encantada de ir lá e achar os pares de sapatos vermelhos e altos da minha Barbie.
Outra lembrança forte que eu tenho é a de que certo dia eu estava brincando com aquelas pistolas de espoleta, na loja que trabalhava um tia minha, no exato momento que chegou o carregamento das pistolas. O rapaz foi abrir a caixa de pólvoras e a caixa explodiu no rosto dele. Nossa, lembro disso perfeitamente como se fosse hoje. No exato momento da explosão eu pisquei com medo e até hoje, quando estou muito nervosa, eu pisco descontroladamente.
Recordo perfeitamente o dia que aprendi a ler e que minha mãe me deu os parabéns e desceu para me comprar um presente (benefício de morar no centro da cidade, você não pega ônibus, nem trânsito para poder comprar tudo o que você quer e resolver as suas coisas). Fiquei em casa super ansiosa achando que ia ganhar algo que fosse saciar a minha fome de ler, mas aí chega mainha com uma toalha de coelhinho. Meu Deus, lembro que não consegui esconder minha cara de decepção, que aliás não consigo até hoje, e de no outro dia vê-la chegar com um gibi. A toalha eu tinha até um tempo desses e relutei em jogar fora, trazia recordações importantes.
Mas de todas as lembranças a que mais me marcou e que mais somou para eu ser o ser humano que sou hoje, sem sombra de dúvidas, foram os dias que vivi ao lado do meu avô. Ele morreu eu tinha apenas 4 anos, mas lembro, com riqueza de detalhes, os momentos vividos ao lado dele e tudo que ele me ensinou. Vovô era açougueiro e trabalhava no Mercado de São José. Passava o dia todo trabalhando e quando chegava em casa ia logo tomar banho e depois jantar. Na hora do jantar ficávamos eu e minhas primas/irmãs ao redor dele, esperando ele nos dar carne, a melhor que já comi até hoje. Era carne de primeira (porque açougueiro que come carne de segunda não é açougueiro de verdade, dizia ele), mal passada e cheia de vinagre. Gente, minha carne preferia até hoje é assim: sangrando e encharcada de vinagre.
Nas minhas férias de Janeiro e Julho eu acordava no mesmo horário da escola (sempre estudei de manhã) para ir com ele pro mercado. Passava o dia inteiro lá atendendo com ele e alimentando os gatos que viviam por lá. O coitado tinha um prejuízo danado comigo lá porque eu dava carne mesmo aos bixanos, não era pele, nem osso, era carne mesmo. Mas lembro da felicidade no rosto dele nos dias que eu estava lá. Aliás, meu avô foi quem me fez descobrir o amor pelos felinos e, toda vez que nossa gata dava cria, eu morria de chorar pedindo que os gatinhos ficassem lá em casa e ele sempre dizia sim até uma época que teve 14 gatos no apartamento, minha época de maior felicidade.
Foi vovô também que me ensinou a andar e que me deu grande parte do 'mimo' que eu tenho hoje. Quando ele tava já perto de morrer, na fase terminal do câncer, e que não queria tomar banho, nem comer, era eu que ia lá chamá-lo e era a mim que ele, ironicamente, obedecia. Um senhor de 70 e poucos anos obedecendo a uma criança de 4, a vida tem dessas, né?

...

Queria escrever mais lembranças boas da minha infância, mas as lágrimas se apossaram do meu rosto e as lembranças aqui recordadas encheram meu coração de saudade.

Perdoem, queridos poucos leitores, mas hoje eu sou saudade e nada mais.


Cheiro de infância e gosto de amor, recheado de saudades minhas!
♥
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