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29/06/2014

do primeiro 29 de junho

Há 59 anos nascia a terceira filha de um açougueiro e uma dona de casa;
Há 59 anos nascia uma filha, mãe, irmã e amiga mais corajosa e dedicada que eu já vi;
Há 59 anos nascia Glauce, minha mainha!

Mainha era a pessoa mais corajosa e forte que eu tive o prazer de conviver. Lutou por 7 anos contra um câncer com uma bravura que dificilmente eu irei ver em outra pessoa. Não deixou se abater e viveu da melhor forma que encontrou por todo esse tempo.
Era a filha mais dedicada, a irmã mais centrada e a melhor mãe do mundo. Deus foi tão bom comigo que me fez filha única só para eu aproveitar e desfrutar do amor dela sozinha. Vivi os melhores 29 anos da minha vida ao lado dela e serei eternamente grata ao universo por isso.
Sempre foi o porto seguro de todos que estavam a sua volta. Era pra ela que todos corriam quando queriam conselhos e sempre foi muito respeitada por isso. Acho que ela nunca soube, de fato, o quanto eu a devotava, o quanto ela vivia num santuário para mim. A minha Glau Glau sempre foi a detentora dos meus melhores pensamentos e das minhas maiores alegrias. Sempre tive muito orgulho em tê-la na minha vida e ainda mais em ser filha desse ser tão único e maravilhoso que o universo concebeu.
Acordar todos os dias e não vê-la na cozinha sentada tomando café e fumando cigarro é devastador. Tem dias que a falta é tão grande que até os gatos olham para mim com aquele olhar de saudade que, se eles pudessem falar, diriam "Onde ela está, Bel?". Nesses dias eu só os abraço e choro agarrada com eles porque em mim a saudade provoca dor física.

Esse é o primeiro 29 de junho que eu passo sem dar um abraço nela assim que acordo, sem dizer "Feliz aniversário, Glau Glau" e pegar no peito e na bunda dela e sem nós chorarmos abraçadas. Hoje quando acordei fiquei por uns segundo na cama, pensando no que iria fazer, então levantei, acendi uma vela, fiz uma oração e vim fazer o que melhor eu sei, escrever.
Queria muito te dar os abraços de sempre, te dizer os eu te amos de sempre, mas sei que onde tu estiver tu vai receber minha oração, meus pensamentos, meu amor e todas essas letras que além de estarem sendo jogadas na tela, estão se desenrolando em forma de prece para tu, mainha.

Feliz aniversário!
Fica bem!
Saudade!
Te amo!
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Tua Berebebel!

27/06/2014

De partir e viver e partir...

Sabe aqueles textos que falam que a morte não é o fim, é apenas uma passagem e temos que ficar preparados para nos desligarmos da matéria? Pois bem, não adianta quantos desses vocês leram e/ou irão ler, a verdade é que nunca estamos, e creio que nunca estaremos, preparados para ela, seja a nossa ou daqueles que amamos.
Perder um ente querido é perder uma parte de você e nunca estamos prontos para ficarmos com um pedaço a menos. Você nunca sabe se está preparado até receber a notícia e seu cérebro processar a informação. São naqueles segundos que você tenta ficar pronto para lidar com a perda.
Passados os segundo iniciais, você começa a aprender a viver com a falta que, em certos momentos, te tira o ar e te faz desejar um fim. Chega a ser irônico o fato de que você vive desejando que chegue o dia em que você verá aquela pessoa novamente e, se você for daqueles que acredita na vida após a morte, esse momento só chegará quando você partir; na verdade você passa a viver esperando o dia de morrer. Não é que você vai viver de forma depressiva, almejando morrer a toda hora e todo momento, mas é que a saudade, meus caros, ela te consome e, por mais que ela amenize com o tempo, ela nunca irá embora até que você dê aquele desejado abraço e isso só vai acontecer em outro plano, em outra vida.

PS: Ficou mórbido, mas ainda é, e sempre será, um texto de amor.
♥

10/03/2014

Para mainha - 1ª carta de saudade!

Oi, mãe!

Hoje faz 7 dias que você se encantou e resisti em falar contigo dessa forma, mas meu desejo de botar tudo no papel (nesse caso na tela) é maior. Quero que você saiba, por mim, como resisti essa semana sem você. A última segunda-feira foi o pior dia da minha vida, te ver sofrendo daquela forma foi devastador, logo você que foi, e é, a pessoa mais forte, guerreira e batalhadora que eu conheci. Sofri tanto naquele dia, só que não quis deixar transparecer porque eu precisava estar ali firme e forte para te dar apoio, conforto e segurança, mas você nem sabe quantas vezes eu fui ao banheiro chorar, lavar o rosto e voltar para segurar a tua mão.
Quando te deixei na entrada da UTI e pedi que o Enfermeiro parasse a maca para eu falar contigo, na verdade eu queria me despedir porque sabia que você não voltaria mais, em carne e osso, pra minha vida. Por isso tentei te tranquilizar dizendo que eles iam cuidar bem de você,  te dei um beijo e disse que te amava. Ali eu me despedi de você nesse plano porque eu tenho certeza que no outro você estará sempre perto de mim e que um dia a gente vai se encontrar, se abraçar e matar a saudade.
Ôh, mainha, te ver no caixão foi muito difícil, você não sabe como eu tive que me segurar para não desabar. Me abracei tanto com teu corpo já sem vida, mesmo sabendo que você não estava mais ali, mas eu acho que isso é quase que inconsciente, sabe?! Queria te dizer como foi teu velório e teu enterro. Foi lindo! Tu tava vestida com uma blusa amarela e toda coberta com flores do campo brancas e na mão, claro, rosas amarelas. Tanta gente lá, o pessoal do bairro de São José, tuas primas, teus irmãos, Luíz, o pessoal do CVA, os vizinhos do Pina, minhas colegas da PCR, a família de Tiago, Maria, Bruxa, Tereza e Tarsila, meus amigos, Dinha e Dêda e até Julinha foram lá para se despedir de tu. O Saberé, antes de sair na terça-feira de carnaval, fez uma oração pra tu, em homenagem à grande mulher, amiga e sambista que tu fosse. Eu não vi, claro, mas todo mundo disse que foi lindo. Depois do enterro fui pra casa de Tiago e João me olhou e disse: 'Tá tristinha, né?! Vovó Glauce morreu!'. Tuka disse que ele falou que não imaginava que gostava tanto de tu assim e eu só tive vontade de correr, te ligar e contar porque sabia que tu ía se acabar de rir.
Mãe, me desculpa, mas na quinta mesmo eu comecei a mudar as coisas da casa, principalmente a posição do sofá porque quando acordei fui fazer o que eu sempre fazia, olhar pra ver como tu estava, se tava respirando ou não. Foi muito difícil, então decidi mudar porque essas não eram lembranças boas. Arrumei tuas roupas e doei no Missionários da Luz, do mesmo jeito que tu fizesse com as de vovó. Fiquei com umas blusas que eu sempre quis roubar de tu, lembra? (rsrsrs). Separei umas coisas pra Tia Suely, Dêda e Dinha, Maria e Tereza.
Estou arrumando a casa aos poucos, separei as panelas, limpei a área de serviço, o teu quarto, o meu, a sala, o terraço... tu ia se orgulhar de me ver sendo dona de casa. Tu nunca achasse que isso ia acontecer, não era? Pena que aconteceu dessa forma.
Mainha, Chico tá mais perturbado do que nunca, mijando em tudo que é canto. Sobe na TV e fica olhando pro sofá e miando, como se tivesse perguntando 'Cadê minha mãe?'. Eu tô tentando acalmá-lo e dar carinho, mas tu sabe que ele sempre foi mais chegado a tu, né?! Maga anda tão sumida que só a vejo na hora de comer. Doroty, tu sabe, né, dando de mamar e soltando os mesmos puns fedorentos de antes. Eu decidi ficar com o gato preto, Tiago deu o nome de 'Melodia' a ele (não reclama, hoje mesmo vou na cidade comprar ração rsrs).
A gente decidiu fazer tua missa amanhã, já que aqui na Igreja do Pina é a missa de Santo Antônio e tu era devota dele. Vou comprar os pães pra levar, tá?! Pedi ao povo que for, que leve também. Não fiz santinho porque tu dissesse que não queria e eu respeitei, e tu também sabe a minha opinião sobre eles, não é?!
Queria te dizer que não precisa se preocupar com a gente não, estamos tentando viver e fazendo o possível para te dar orgulho. Tia Suely vai passar um tempo com as meninas para espairecer. Eu tô aqui com os gatos e Tiago tá aqui comigo também. Queria que tu se preocupasse contigo, em tentar melhorar e ficar bem aí onde tu está. Mãe, tu já encontrou vovó? Se encontrá-la, diz a ela que eu tô mandando um beijo enorme. E vovô? Fala pra ele não ficar com raiva de mim porque eu parei de comer carne, tá?! E Nado? Ele tá descansando? Com a vida difícil que o bixinho teve aqui na terra, espero que ele esteja bem aí onde vocês estão.
Não vou mentir pra tu, não é nada fácil não ouvir tua voz, nem tuas reclamações com os gatos e comigo. Tá sendo difícil sim, mas eu consigo porque eu tenho muito de tu em mim e vou fazer o possível e o impossível para ser 1/3 da mulher que tu fosse, se eu conseguir isso eu já vou ter sido tanto. Também quero te agradecer pela mãe zeloza, impecável, guerreira, batalhadora e amorosa que tu fosse e dizer que você foi, é e vai continuar sendo a pessoa mais importante da minha vida. Eu te amo mais que tudo!
Fica em paz!

Beijos,

Berebebel ♥

06/03/2013

brigitte = saudade

"Nada parece mais com o fim do mundo que um gato morto", esse, para mim, é um dos versos mais verdadeiros de Vinícius. Ver um animal tão lindo como um gato sem vida é a certeza de que um fim está próximo e foi assim que me senti segunda quando perdi minha gata mais nova, minha menina caçula. Brigitte Bardot faleceu segunda decorrente de uma infecção gerada por um aborto. Quando cheguei no trabalho meu namorado me ligou e disse que ela estava muito mole e que achava que ela estava perto de parir, como ele era o único em casa, pedi que ficasse com ela, dando apoio e carinho até minha mãe chegar. De tarde quando liguei para casa para saber dela, mainha informou que ela não resistiu. Ela tentou socorrê-la, mas Brigitte faleceu a caminho do veterinário.
Não sei nos outros cantos do Brasil, mas aqui em Recife choveu muito segunda-feira e todo dia de chuva assim me lembro da minha vozinha. Ela não suportava esse tipo de dia porque minha bisa faleceu num dia chuvoso e acho que aprendi isso com ela. No momento que soube da morte da minha princesa não consegui esboçar nenhuma reação, fiquei calada no telefone sem conseguir pronunciar um ai, mainha só dizia 'fica assim não, Bel' e eu só conseguia pensar que o dia chuvoso deixou mais uma triste lembrança na nossa família. Minha vó perdeu a mãe numa manhã de chuva e eu perdi minha caçula numa manhã igual.
Já perdi outros gatos e segunda, por um momento, jurei para mim mesma que não quero mais nenhum porque não sei se suporto mais perdas, principalmente nesse momento da minha vida, mas confesso a vocês, meus caros poucos leitores, que não sei se consigo, minha vida e a dos felinos é interligada num elo que não sei explicar, só sei que existe e além de muito forte é perene. Tenho ainda mais dois filhos: Magalie e Chico, que ainda não apresentei a vocês, mas que logo logo estará derramando beleza na tela desse humilde blog, e espero que esses não saiam de perto de mim por, no mínimo, uns 15 anos.
Não acredito muito nisso de céu e inferno, mas quero acreditar que nesse mundo em que vivemos haja um lugar especial para as almas dos bichinhos e que minha Brigitte esteja nele recebendo muito amor e carinho que é tudo que ela sempre mereceu.

Vou morrer de saudade.
Te amo, Biriba!
♥

25/07/2012

de infância e de saudade, ou apenas de vovô!

Acordei hoje para recordar. Recordar uma parte da infância que foi mais que feliz.
Vivi até os meus 8 anos no centro de Recife, mais especificamente na Rua de Santa Cecília, num apartamento em cima das Lojas Cassiano. Minha mãe e minha avó vendiam almoço para o pessoal que trabalhava nas lojas dali (numa época que aquilo lá não era cosplay da chinatown.), logo todo mundo daquelas redondezas me conhecia, o que facilitava muito minha infância de criança sozinha, criada em prédio e no meio de adultos.
Como não vivi rodeada de crianças, exceto minhas primas/irmãs gêmeas que, durante esse período moraram em Jiparaná-RO, tive que brincar sozinha por muito tempo e acabava indo para as lojas para poder 'ser criança'. Nossa, são tantas lembranças felizes e algumas, poucas, tristes também.
Lembro de ter um estoque de bonecas enormes porque cada loja que entrava eu escolhia a que queria brincar naquele dia, era sempre algo novo e encantador. E por falar em bonecas, uma das coisas que mais achava mágica era o fato de sempre encontrar sapatos de boneca jogados nas ruas, especialmente na Rua do Nogueira (paralela a Sta. Cecília), acho que deveria ter alguma fábrica por ali que eu desconhecia. Mas recordo de como eu ficava encantada de ir lá e achar os pares de sapatos vermelhos e altos da minha Barbie.
Outra lembrança forte que eu tenho é a de que certo dia eu estava brincando com aquelas pistolas de espoleta, na loja que trabalhava um tia minha, no exato momento que chegou o carregamento das pistolas. O rapaz foi abrir a caixa de pólvoras e a caixa explodiu no rosto dele. Nossa, lembro disso perfeitamente como se fosse hoje. No exato momento da explosão eu pisquei com medo e até hoje, quando estou muito nervosa, eu pisco descontroladamente.
Recordo perfeitamente o dia que aprendi a ler e que minha mãe me deu os parabéns e desceu para me comprar um presente (benefício de morar no centro da cidade, você não pega ônibus, nem trânsito para poder comprar tudo o que você quer e resolver as suas coisas). Fiquei em casa super ansiosa achando que ia ganhar algo que fosse saciar a minha fome de ler, mas aí chega mainha com uma toalha de coelhinho. Meu Deus, lembro que não consegui esconder minha cara de decepção, que aliás não consigo até hoje, e de no outro dia vê-la chegar com um gibi. A toalha eu tinha até um tempo desses e relutei em jogar fora, trazia recordações importantes.
Mas de todas as lembranças a que mais me marcou e que mais somou para eu ser o ser humano que sou hoje, sem sombra de dúvidas, foram os dias que vivi ao lado do meu avô. Ele morreu eu tinha apenas 4 anos, mas lembro, com riqueza de detalhes, os momentos vividos ao lado dele e tudo que ele me ensinou. Vovô era açougueiro e trabalhava no Mercado de São José. Passava o dia todo trabalhando e quando chegava em casa ia logo tomar banho e depois jantar. Na hora do jantar ficávamos eu e minhas primas/irmãs ao redor dele, esperando ele nos dar carne, a melhor que já comi até hoje. Era carne de primeira (porque açougueiro que come carne de segunda não é açougueiro de verdade, dizia ele), mal passada e cheia de vinagre. Gente, minha carne preferia até hoje é assim: sangrando e encharcada de vinagre.
Nas minhas férias de Janeiro e Julho eu acordava no mesmo horário da escola (sempre estudei de manhã) para ir com ele pro mercado. Passava o dia inteiro lá atendendo com ele e alimentando os gatos que viviam por lá. O coitado tinha um prejuízo danado comigo lá porque eu dava carne mesmo aos bixanos, não era pele, nem osso, era carne mesmo. Mas lembro da felicidade no rosto dele nos dias que eu estava lá. Aliás, meu avô foi quem me fez descobrir o amor pelos felinos e, toda vez que nossa gata dava cria, eu morria de chorar pedindo que os gatinhos ficassem lá em casa e ele sempre dizia sim até uma época que teve 14 gatos no apartamento, minha época de maior felicidade.
Foi vovô também que me ensinou a andar e que me deu grande parte do 'mimo' que eu tenho hoje. Quando ele tava já perto de morrer, na fase terminal do câncer, e que não queria tomar banho, nem comer, era eu que ia lá chamá-lo e era a mim que ele, ironicamente, obedecia. Um senhor de 70 e poucos anos obedecendo a uma criança de 4, a vida tem dessas, né?

...

Queria escrever mais lembranças boas da minha infância, mas as lágrimas se apossaram do meu rosto e as lembranças aqui recordadas encheram meu coração de saudade.

Perdoem, queridos poucos leitores, mas hoje eu sou saudade e nada mais.


Cheiro de infância e gosto de amor, recheado de saudades minhas!
♥

10/05/2011

Dias...

Alguns dias se passaram e o que meu amigo blogueiro "Rafael" disse é a pura verdade: a dor não passa e a saudade só faz aumentar... É difícil chegar em casa e não encontrá-la, olhar pro lugar que ela costumava ficar deitada e ela não estar lá, sentir o cheiro dela nos meus lençois e não querer lavar porque sei que esse cheiro desaparecerá! Mas talvez o mais difícil seja não ter alguem pra quem possa falar disso, porque as pessoas simplesmente dizem: 'é só um animal, não é uma pessoa!'. E não era só um animal, era um ser a quem eu dediquei por 11 anos o meu amor, carinho, admiração, cuidado. Era um ser que eu amava e que perdi!

05/10/2009

Tristeza Felina


Hoje faz 7 dias que Bentinho fugiu de casa. Para quem não sabe quem é Bentinho eu explico: é essa linda criatura da foto acima, a quem eu dedico grande parte do meu amor e carinho.

Ontem foi dia de São Francisco de Assis e dizem que ele é protetor dos animais. Nem acredito em santo, nem nessas coisas, mas pedi tanto que meu amor voltasse para casa, só que ainda nada.

Saudades do meu Bento...


Enfim, hoje estou com tristeza felina!
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