15/03/2014

Sobre Literatura; Sobre ajuda; Sobre mim!

Hoje na aula a gente discutiu 'O cão sem plumas' e lembrei que o primeiro livro que ganhei na vida foi um de João Cabral e me foi dado por mainha. O tempo todo que discutíamos o poema, eu percebia todas as coisas boas que dela carrego comigo e lembrei de algo que há muito tava adormecido: que a mão da literatura quando me toca, me faz sentir melhor e me dá forças para superar até os piores desafios.

Obrigada, João Cabral!

10/03/2014

Para mainha - 1ª carta de saudade!

Oi, mãe!

Hoje faz 7 dias que você se encantou e resisti em falar contigo dessa forma, mas meu desejo de botar tudo no papel (nesse caso na tela) é maior. Quero que você saiba, por mim, como resisti essa semana sem você. A última segunda-feira foi o pior dia da minha vida, te ver sofrendo daquela forma foi devastador, logo você que foi, e é, a pessoa mais forte, guerreira e batalhadora que eu conheci. Sofri tanto naquele dia, só que não quis deixar transparecer porque eu precisava estar ali firme e forte para te dar apoio, conforto e segurança, mas você nem sabe quantas vezes eu fui ao banheiro chorar, lavar o rosto e voltar para segurar a tua mão.
Quando te deixei na entrada da UTI e pedi que o Enfermeiro parasse a maca para eu falar contigo, na verdade eu queria me despedir porque sabia que você não voltaria mais, em carne e osso, pra minha vida. Por isso tentei te tranquilizar dizendo que eles iam cuidar bem de você,  te dei um beijo e disse que te amava. Ali eu me despedi de você nesse plano porque eu tenho certeza que no outro você estará sempre perto de mim e que um dia a gente vai se encontrar, se abraçar e matar a saudade.
Ôh, mainha, te ver no caixão foi muito difícil, você não sabe como eu tive que me segurar para não desabar. Me abracei tanto com teu corpo já sem vida, mesmo sabendo que você não estava mais ali, mas eu acho que isso é quase que inconsciente, sabe?! Queria te dizer como foi teu velório e teu enterro. Foi lindo! Tu tava vestida com uma blusa amarela e toda coberta com flores do campo brancas e na mão, claro, rosas amarelas. Tanta gente lá, o pessoal do bairro de São José, tuas primas, teus irmãos, Luíz, o pessoal do CVA, os vizinhos do Pina, minhas colegas da PCR, a família de Tiago, Maria, Bruxa, Tereza e Tarsila, meus amigos, Dinha e Dêda e até Julinha foram lá para se despedir de tu. O Saberé, antes de sair na terça-feira de carnaval, fez uma oração pra tu, em homenagem à grande mulher, amiga e sambista que tu fosse. Eu não vi, claro, mas todo mundo disse que foi lindo. Depois do enterro fui pra casa de Tiago e João me olhou e disse: 'Tá tristinha, né?! Vovó Glauce morreu!'. Tuka disse que ele falou que não imaginava que gostava tanto de tu assim e eu só tive vontade de correr, te ligar e contar porque sabia que tu ía se acabar de rir.
Mãe, me desculpa, mas na quinta mesmo eu comecei a mudar as coisas da casa, principalmente a posição do sofá porque quando acordei fui fazer o que eu sempre fazia, olhar pra ver como tu estava, se tava respirando ou não. Foi muito difícil, então decidi mudar porque essas não eram lembranças boas. Arrumei tuas roupas e doei no Missionários da Luz, do mesmo jeito que tu fizesse com as de vovó. Fiquei com umas blusas que eu sempre quis roubar de tu, lembra? (rsrsrs). Separei umas coisas pra Tia Suely, Dêda e Dinha, Maria e Tereza.
Estou arrumando a casa aos poucos, separei as panelas, limpei a área de serviço, o teu quarto, o meu, a sala, o terraço... tu ia se orgulhar de me ver sendo dona de casa. Tu nunca achasse que isso ia acontecer, não era? Pena que aconteceu dessa forma.
Mainha, Chico tá mais perturbado do que nunca, mijando em tudo que é canto. Sobe na TV e fica olhando pro sofá e miando, como se tivesse perguntando 'Cadê minha mãe?'. Eu tô tentando acalmá-lo e dar carinho, mas tu sabe que ele sempre foi mais chegado a tu, né?! Maga anda tão sumida que só a vejo na hora de comer. Doroty, tu sabe, né, dando de mamar e soltando os mesmos puns fedorentos de antes. Eu decidi ficar com o gato preto, Tiago deu o nome de 'Melodia' a ele (não reclama, hoje mesmo vou na cidade comprar ração rsrs).
A gente decidiu fazer tua missa amanhã, já que aqui na Igreja do Pina é a missa de Santo Antônio e tu era devota dele. Vou comprar os pães pra levar, tá?! Pedi ao povo que for, que leve também. Não fiz santinho porque tu dissesse que não queria e eu respeitei, e tu também sabe a minha opinião sobre eles, não é?!
Queria te dizer que não precisa se preocupar com a gente não, estamos tentando viver e fazendo o possível para te dar orgulho. Tia Suely vai passar um tempo com as meninas para espairecer. Eu tô aqui com os gatos e Tiago tá aqui comigo também. Queria que tu se preocupasse contigo, em tentar melhorar e ficar bem aí onde tu está. Mãe, tu já encontrou vovó? Se encontrá-la, diz a ela que eu tô mandando um beijo enorme. E vovô? Fala pra ele não ficar com raiva de mim porque eu parei de comer carne, tá?! E Nado? Ele tá descansando? Com a vida difícil que o bixinho teve aqui na terra, espero que ele esteja bem aí onde vocês estão.
Não vou mentir pra tu, não é nada fácil não ouvir tua voz, nem tuas reclamações com os gatos e comigo. Tá sendo difícil sim, mas eu consigo porque eu tenho muito de tu em mim e vou fazer o possível e o impossível para ser 1/3 da mulher que tu fosse, se eu conseguir isso eu já vou ter sido tanto. Também quero te agradecer pela mãe zeloza, impecável, guerreira, batalhadora e amorosa que tu fosse e dizer que você foi, é e vai continuar sendo a pessoa mais importante da minha vida. Eu te amo mais que tudo!
Fica em paz!

Beijos,

Berebebel ♥

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