10/05/2013

veja bem, não é preconceito não...


Ontem estava eu no banheiro do trabalho e lá tinham também duas moças conversando sobre um fato que uma delas presenciou em uma rede de lojas famosa, mas que prefiro não citar o nome. Mariazinha (nome fictício) contava que uma senhora comprou uma série de roupas, mas que a caixa esqueceu de tirar o lacre de segurança e quando a senhora estava saindo da loja o alarme disparou e os seguranças a abordaram de uma maneira nada educada.
O espanto de Mariazinha era porque estava na cara da senhora que ela não pretendia roubar, afinal de contas, ela não tinha cara de ladra e, muito menos, se vestia como tal; tudo isso repetindo, várias vezes, a seguinte frase 'Veja bem, não é preconceito não!'. Eu, claro, fiquei calada e procurei terminar o meu xixi o mais rápido possível para não ter que ouvir mais aqueles despautérios, porque estava em tempo de me dirigir a ela e dizer que essa 'simples opinião desprovida de preconceito' é fruto de um povo que renega suas origens e julga as pessoas de maneira superficial; Que vivemos num país onde a 'raça' e, principalmente, o caráter são definidos pelo tom da pele; Que nossa sociedade machista permite nos sentirmos em segurança na presença de mulheres porque as julgam fracas e, consequentemente, sem capacidade para o furto ou qualquer outros delitos, a não ser que essas sejam negras e 'mal vestidas'; Que aprendemos, mesmo que subconscientemente, a ter medo das pessoas que são negras, pobres e, mais uma vez, 'mal vestidas' e identificá-las com essa chamada 'cara de ladrão'; Que essas pessoas vivem à margem da sociedade não porque querem, mas porque isso lhe foi imposto desde a época da Lei Áurea; Mas, principalmente, queria dizer a ela que preconceito indica um 'conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos adequados' e que ela ao julgar quem tem, ou quem não tem, cara de ladrão está sendo SIM preconceituosa, mas que infelizmente ela só comunga de um pensamento que é maioria, que lhe foi ensinado, mesmo que inconscientemente, desde criança e que ela, pelo andar da carruagem, repassará para os filhos.
De fato eu queria ter dito tudo isso, mas não disse nada, muito pelo contrário, saí do banheiro muda e pensativa e, o máximo que consegui fazer, foi escrever esse texto, meus caros leitores.

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