09/11/2010

Prosa Buarquiana

Acho que não deve ser surpresa para ninguém o fato de que sou uma grande admiradora e apaixonada pela obra de Chico Buarque. Mas falar da obra buarquiana é falar de tudo que ele fez e ainda faz: canções, onde podemos separar poesia (letra) e a melodia, histórias infantis, peças de teatro e os romances.

Já estudei e ainda estudo suas canções, especialmente suas letras, separadas das melodias, visto que de todas as artes a única que me especializei foi a literatura e não a música, muito menos as outras artes, o que é uma pena... mas ainda há tempo, né?

Mas voltando ao estudo da obra de Buarque... até fiz um trabalho na pós sobre a não linearidade temporal (a presença constante de flash backs e flash fowards) no romance "Leite Derramado", mas me aprofundei mesmo na poesia de Chico. Só que, mesmo sem ser uma "especialista" na prosa dele, vou me atrever a falar um pouco dos seus romances. Dos 4, li 3 (Estorvo, Budapeste e Leite Derramado), não li Benjamim. Não é novidade que Chico SABE escrever (e não estou falando de gramática), ele usa muito bem os recursos estilísticos para prender a atenção do leitor e enriquecer o texto, mas a história em si, na minha singela opinião, fica a desejar.

Minha primeira vez em prosa buarquiana foi com Budapeste. Achei bom, mas aquela sensação de que falta algo foi muito presente. Aí, fui para Estorvo que, me perdoem o trocadilho, é realmente um estorvo. O livro é cansativo, pesado, tenso e o prazer de ler passa longe. Então veio Leite Derramado. A comparação com "Memórias Póstumas de Brás Cubas" me deixou bem curiosa e esperando algo realmente grande. É sem sombra de dúvidas o melhor dos 4 livros de Chico e o amadurecimento do escritor é bem notório. As personagens são melhores contruídas e a narrativa é, com certeza, mais rica, mas a velha sensação de que falta algo permaneceu.
Sei que os livros de Chico são sempre bem recebidos pela crítica e ganhadores de prêmios literários, como, recentemente, o Jabuti e o Portugal Telecom para Leite Derramado, além de mais outros 2 Jabutis para Estorvo e Budapeste, mas impressão que tenho é que, como disse minha amiga, professora e orientadora, Renata Pimentel, é como se ele tivesse nascido pra ser um ginasta e quisesse jogar basquete. Os livros não são ruins, não é isso que quero dizer, contudo não têm a qualidade que as letras têm. A poesia buarquiana é bem melhor construída e de qualidade infinitamente superior à prosa.
Espero que ele continue a escrever sempre e sempre, seja romance, poesia, teatro, e desejo também que esse amadurecimento literário continue a crescer para seus livros ganhem em qualidade e nós, seus fiéis leitores, possamos ter um romance à altura da poesia.
De toda forma: Parabéns, Chico, pelos prêmios!
"Catando a poesia que entornas no chão"

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