19/02/2013

não fui eu, foi meu eu lírico...

Faz tempo nessa casinha que não escrevo sobre amor, mas já disse, em algum momento neste blog, que escrever, para mim, não tem que ser forçado, e de amor principalmente. Tem que ser natural, aquele desejo de saciar uma vontade de 'por para fora' um sentimento guardado, e talvez essa escassez seja resultante de uma 'boa' fase, afinal meus melhores textos sobre o assunto resultaram de desilusões amorosas e atualmente meu coração anda bombeando sangue em vez de lágrimas.
Uma vez ouvi ou li, não sei, que tristezas, especialmente as de amor, resultam em grandes poemas e músicas e fiquei pensando no Chico Buarque, será que ele já sofreu tanto assim? Afinal ele é o maior trovador da dita 'modernidade' e são mais de 500 músicas/poesias falando de amor. Acho que quem fez essa afirmação desconhecia uma pessoa extremamente importante, o 'eu lírico', aquele que fala na poesia. Lembrei de uma comunidade que tinha no orkut (ainda existe orkut, gente? rsrsrs) "Não fui eu, foi meu eu lírico' que era uma das mais populares e o coitado do 'eu' da poesia virou justificativa de muita gente.
Bom, para não terminar esse post sem texto de amor, vou deixar vocês com uma poesia linda e que tem um dos eu líricos mais lindos...

Com açúcar, com afeto

Com açúcar, com afeto,
Fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa,
Qual o quê!
Com seu terno mais bonito,
Você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa
Você diz que é um operário,
Vai em busca do salário
Pra poder me sustentar,
Qual o quê!
No caminho da oficina,
Há um bar em cada esquina
Pra você comemorar,
Sei lá o quê!
(...)

                   Chico Buarque



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