19/03/2013

de vocação, de vida, de literatura ♥

Ontem estava voltando pra casa e encontrei uma ex-aluna que me deu um abraço e disse 'Roberta, que saudade das suas aulas' e um comentário me fez dar conta de uma vocação que me é nata, embora eu negue. Vocês não sabem, mas eu sou Professora de formação e estou começando a descobrir que de natureza também. Sou formada em Licenciatura Plena em Letras, com habilitação Português/Inglês.
Minha história com a licenciatura começou quando decidi cursar Letras. Sempre disse que não queria ser Professora, embora não soubesse ao certo o que queria fazer com o curso ainda, mas ensinar nunca foi uma opção para mim. Durante a Faculdade comecei a estagiar logo no 2º período já em sala de aula de escolas municipais e estaduais; no começo fiquei encantada, achei que poderia mudar o mundo com a educação (e ainda acho que posso, mas não com esse sistema educacional medíocre em que vivemos) e me via como um soldado lutando uma grande guerra que no final seria vencida por mim e pelos meus. Dava aula de inglês a adolescentes e a jovens e adultos (EJA) e ficava encantada toda vez que os via reconhecer alguma palavra em inglês, entender um trecho de música e/ou iniciar, por mínimo que fosse, um diálogo, mas a medida que fui conhecendo o sistema educacional, me decepcionei em ver como funcionava e, consequentemente, fiquei desmotivada, reneguei fazer parte dele e coloquei na minha cabeça que ser Professora não era para mim.
Como ensinar não era algo que queria, decidi estudar mais. Fiz Pós-Graduação em Literatura Brasileira e durante as aulas, enquanto apresentava os seminários, me sentia tão à vontade com aquilo que percebi o queria para a minha vida: queria ser pesquisadora, queria viver para a Academia, mais especificamente para a Literária. Mas o que eu ainda não tinha me tocado é que na Academia esse viver literário seria, também, ensinando e foi aí que eu decidi aceitar a minha vocação (creio eu) que é dar aula de Literatura, transmitir aos outros essa minha paixão pelas belas letras e melhorar, nem que seja um pouquinho, cada ser humano que me ouvir.
Só tive a certeza de que era isso, de fato, o que eu queria fazer para o resto da minha vida quando lembrei de uma vez que dava aula sobre Realismo pra uma turma de 2º do ensino médio (científico na minha época) e falava de Machado de Assis (claro!), especificamente de 'Dom Casmurro', mas especificamente ainda de 'Capitu' e um aluno levantou a mão e disse 'Professora, a senhora gosta mesmo desse tal de Machado de Assis, né? Dá pra ver que seus olhos brilham quando a senhora fala dele' e foi nesse momento que bati o martelo e percebi que foi pra isso que eu nasci e, principalmente, que eu conseguia fazer direito, conseguia passar para os meus alunos a minha paixão pela Literatura.
Ainda não realizei tudo o que eu quero, estou estudando para tentar, pela segunda vez, o Mestrado em Teoria Literária pela UFPE para poder iniciar mais uma etapa da minha vida na Academia e tornar em realidade, aos poucos, tudo aquilo que está aqui na minha cabeça e nos meus sonhos.

Porque eu sou Literatura!


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2 comentários:

  1. É muito bom quando a gente se acha nas nossas vocações. Acho ensinar, um ato muito nobre :)

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  2. De fato é, Fernanda. Nobre e corajoso!
    :)

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